A Nova Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos
Recentemente, o Senado Federal brasileiro aprovou o Projeto de Lei nº 2.780/2024, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) e cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE). Este projeto, que segue agora para sanção presidencial, representa um marco significativo na gestão dos recursos minerais do país, especialmente em um contexto de crescente demanda por minerais que são essenciais para a transição energética e para a segurança tecnológica.
Objetivos e Estrutura da Política
A PNMCE tem como objetivo principal ampliar a agregação de valor dos minerais dentro do Brasil. Os minerais críticos são definidos como aqueles que são indispensáveis para setores-chave da economia e cuja disponibilidade pode estar em risco. Por outro lado, os minerais estratégicos são avaliados pela sua importância econômica, considerando fatores como reservas, contribuição para a balança comercial e potencial para desenvolvimento tecnológico.
Entre as diretrizes da PNMCE estão a pesquisa mineral, a lavra, o beneficiamento e a transformação mineral, além da mineração urbana. A política propõe um ambiente regulatório estável que favoreça a atração de investimentos e o desenvolvimento sustentável do setor, com um foco em:
- Aumentar o conhecimento geológico;
- Desenvolver a indústria de beneficiamento;
- Qualificar a mão de obra;
- Ampliar mecanismos de financiamento;
- Promover oportunidades de investimento internacional.
Incentivos Fiscais e Programas de Financiamento
Um dos eixos fundamentais da proposta é o Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos (PFMCE), que prevê a concessão de créditos fiscais de até 20% dos gastos realizados em atividades de beneficiamento e transformação mineral. Este benefício é aplicável às empresas que operam sob as leis brasileiras e podem ter um impacto significativo, totalizando até R$ 5 bilhões em incentivos até 2034.
Os créditos fiscais estarão condicionados a metas e objetivos específicos, incluindo a divulgação dos valores concedidos. Além disso, o projeto também prevê a criação do Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM), que terá um limite de participação de R$ 2 bilhões para oferecer garantias a empreendimentos na área.
Importância da Pesquisa e Inovação
Outro ponto essencial da PNMCE é a obrigação das empresas de investirem em pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica. Durante os primeiros seis anos, as empresas devem destinar pelo menos 0,3% de seus recursos a projetos relacionados. Essa exigência aumenta para 0,5% após esse período, o que demonstra um compromisso com a inovação contínua no setor mineral.
As áreas de pesquisa incluem, mas não se limitam a:
- Mapeamento geológico;
- Descarbonização da cadeia mineral;
- Recuperação de áreas degradadas;
- Economia circular e reciclagem.
Rastreabilidade e Sustentabilidade
A proposta também introduz um sistema de rastreabilidade para garantir a origem e o impacto ambiental dos minerais extraídos. O Certificado Mineral de Baixo Carbono (CMBC) será uma ferramenta crucial para monitorar as emissões de gases de efeito estufa associadas à produção mineral e constituirá um passo importante em direção à sustentabilidade no setor.
A Mineração Urbana como Solução
A PNMCE reconhece a mineração urbana como um componente vital da política, abrangendo a recuperação de materiais valiosos de resíduos eletroeletrônicos e outros tipos de lixo. Este enfoque não apenas ajudará a diversificar as fontes de suprimento, mas também a atender à crescente demanda por recursos em um ambiente sustentável.
Perspectivas Futuras
Com a aprovação do PL 2.780/2024, espera-se um avanço significativo nas políticas públicas voltadas para a industrialização e sustentabilidade dos minerais críticos e estratégicos. O Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) vê esta aprovação como um passo positivo para o desenvolvimento do setor, enfatizando a necessidade de regulamentação que garanta segurança jurídica e previsibilidade para os investimentos de longo prazo.
A implementação da PNMCE poderá não apenas fortalecer as cadeias produtivas no Brasil, mas também posicionar o país como um player relevante no mercado global de minerais, especialmente em um momento em que a transição energética é uma prioridade mundial. A combinação de incentivos fiscais, obrigatoriedade de pesquisa e proteção ambiental poderá criar um ambiente propício para o crescimento sustentável do setor mineral.


