Usiminas Paralisa Planta de Mineração em Itatiaiuçu
A Usiminas, uma das principais mineradoras do Brasil, anunciou, em 2 de setembro de 2026, a paralisação temporária das atividades da sua planta de Samambaia, localizada em Itatiaiuçu, na região Central de Minas Gerais. Essa unidade representa uma parcela significativa da produção de minério de ferro da companhia, cerca de 30% a 35% de sua capacidade total. Tal decisão levanta questões cruciais sobre o futuro da operação e os impactos no mercado de minério de ferro.
Motivos da Paralisação
A decisão de suspender as atividades na planta de Samambaia está diretamente ligada à deterioração das condições do mercado internacional. A Usiminas apontou a queda acentuada das cotações do minério de ferro e o expressivo aumento dos custos de frete marítimo como fatores determinantes para essa medida. Em um cenário onde a competitividade é severamente impactada, a empresa busca se adequar às novas realidades do mercado global.
Impacto no Abastecimento
Embora a paralisação da planta de Samambaia possa parecer alarmante à primeira vista, a Usiminas destacou que a redução da produção se concentrará principalmente nos volumes destinados à exportação. Portanto, essa medida não deverá comprometer o abastecimento de minério necessário para a produção de aço da companhia, uma vez que a demanda interna permanece estável.
Desempenho Recente da Usiminas
No ano de 2025, a Mineração Usiminas alcançou um marco significativo, registrando vendas recordes de 9,6 milhões de toneladas de minério de ferro, uma alta de 13,9% em relação às 8,5 milhões de toneladas do ano anterior. A produção também apresentou crescimento, totalizando 9,2 milhões de toneladas.
Pressões no Mercado
O momento atual é caracterizado por uma pressão crescente sobre a rentabilidade das empresas exportadoras de minério de ferro. A cotação da commodity caiu para US$ 99,34 por tonelada na Bolsa de Valores de Singapura, um valor inferior ao registrado em meses anteriores. Em maio, por exemplo, o preço do minério havia alcançado US$ 109 por tonelada.
Custo de Produção
Além da redução dos preços, o aumento dos custos de frete marítimo tem elevado as despesas de exportação, tornando a operação menos viável. A Usiminas revelou que o custo de produção do minério de ferro em 2025 foi de US$ 21,8 por tonelada, em comparação com US$ 21,3 por tonelada da Vale. Essa disparidade pode afetar a competitividade da Usiminas no mercado global.
Desempenho Financeiro da Mineração
Apesar das dificuldades atuais, o segmento de mineração apresentou resultados positivos para a Usiminas em 2025. O crescimento nas vendas de minério contribuiu para o aumento da receita total da companhia, que alcançou R$ 26,3 bilhões, um crescimento de 1,5% em relação ao ano anterior.
Resultados do EBITDA
Na unidade de Mineração, o EBITDA ajustado chegou a R$ 636 milhões em 2025, o que representa um crescimento de 45,6% em relação ao ano anterior. A margem EBITDA do segmento foi de 16,9%, indicando uma performance robusta, mesmo em um cenário desafiador.
Perspectivas Futuras
A Usiminas continua a operar com as minas Central e Oeste em Itatiaiuçu, enquanto a Mina Leste está situada em Mateus Leme (MG). A empresa também possui diversas estruturas de beneficiamento na região, o que fortalece sua posição no mercado. No entanto, a paralisação da planta de Samambaia pode exigir uma reavaliação estratégica para garantir a sustentabilidade a longo prazo.
Em suma, a Usiminas enfrenta um cenário complexo, marcado por desafios na produção e no mercado. A capacidade de adaptação e a gestão eficiente dos custos serão cruciais para que a empresa mantenha sua competitividade e assegure sua posição de destaque no setor de mineração e automação industrial.


