Retomada das Operações da Sigma Lithium no Vale do Jequitinhonha
A Sigma Lithium anunciou a retomada integral de suas operações industriais e minerais no Vale do Jequitinhonha, um marco importante para a companhia após a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Estado de Minas Gerais. Este acordo encerra um período de suspensão parcial das atividades e abre caminho para a continuidade do programa de expansão da empresa.
Com a nova segurança jurídica proporcionada pelo TAC, a Sigma Lithium planeja investir R$ 600 milhões até 2027, visando uma produção de 240 mil toneladas de concentrado de óxido de lítio nos próximos 12 meses, com uma projeção de aumento para 330 mil toneladas em 2027. O investimento não é apenas uma cifra: é um sinal claro do comprometimento da empresa com o desenvolvimento sustentável e a criação de valor no setor de mineração.
O Impacto do TAC nas Operações
Com a formalização do TAC, a Sigma Lithium informou que suas atividades operacionais foram plenamente restabelecidas. Durante o período de suspensão, a empresa manteve operações limitadas, focando na venda de finos de lítio de alta pureza oriundos do reprocessamento de rejeitos e produtos de teor intermediário. Essa comercialização é uma parte vital da estratégia da Sigma, que busca transformar sua operação em um modelo de negócios 100% circular ainda este ano.
O TAC não apenas permite a retomada das operações, mas também estabelece as condições necessárias para a continuidade do programa de investimentos. De acordo com a Sigma, essa manutenção das operações é crucial para sustentar uma cadeia de aproximadamente 19 mil empregos diretos e indiretos, que garantem a renda de mais de 80 mil pessoas na região.
Desafios e Compromissos Ambientais
Durante as negociações do TAC, as autoridades ambientais analisaram minuciosamente a documentação técnica e ambiental apresentada pela Sigma. O acordo prevê ajustes em procedimentos ambientais que, segundo estimativas da empresa, exigirão um investimento adicional de aproximadamente US$ 1 milhão. Além disso, a companhia concordou em pagar até US$ 540 mil em multas relacionadas a questões levantadas durante as investigações.
A Sigma, por outro lado, contesta as principais acusações contra suas operações. A empresa afirma que não forneceu informações falsas às autoridades ambientais desde 2018 e rejeita a alegação de que suas atividades causaram impactos negativos a residências localizadas fora de sua área licenciada. Como parte do acordo, a mineradora concordou em alargar e cascalhar as vias de acesso às duas residências mencionadas.
Olhar para o Futuro
Para Ana Cabral, CEO e copresidente do Conselho de Administração da Sigma Lithium, a assinatura do TAC representa o fechamento de uma etapa crucial, permitindo que a empresa foque na expansão da produção. Ela declarou: “Com o acordo, a Companhia volta a concentrar todos os seus esforços no que fazemos melhor: produzir lítio de forma responsável e colocar o Brasil na ribalta das cadeias globais da indústria de insumos de baterias.”
A CEO também enfatiza que o TAC assegura a continuidade do programa de investimentos e a criação de oportunidades econômicas na região. “Agora, olhamos para frente com confiança e renovado entusiasmo, focados em aumentar nossa produção, avançar nossos planos de expansão e continuar contribuindo para o desenvolvimento econômico e social do Vale do Jequitinhonha.”
Modernização da Frota e Expansão das Operações
A retomada das operações coincide com um aumento na escala da operação da Sigma. A empresa aprovou um novo plano de modernização de sua frota de equipamentos pesados, em parceria com a fabricante chinesa SANY. O plano inclui a introdução de caminhões fora de estrada com capacidade de 75 toneladas, que trabalharão em conjunto com escavadeiras de 98 toneladas, aumentando a eficiência operacional e preparando a estrutura para os volumes projetados.
O complexo Grota do Cirilo possui atualmente uma capacidade nominal de produção de 330 mil toneladas de concentrado de óxido de lítio por ano. A estratégia de longo prazo da Sigma é ainda mais ambiciosa, prevendo a construção de duas novas plantas industriais, elevando a capacidade total instalada para 830 mil toneladas por ano.
Desempenho Operacional e Financeiro
A assinatura do TAC ocorre em um momento em que a Sigma Lithium já apresentava melhorias significativas em seus indicadores operacionais e financeiros. No segundo trimestre de 2026, a empresa registrou uma margem EBITDA de 47%, a maior de sua história, após alcançar 39% no primeiro trimestre, além de uma redução superior a 30% nos custos.
Com a plena retomada das atividades, a Sigma volta a colocar a expansão como o foco central de sua estratégia. O modelo operacional brasileiro combina práticas sustentáveis, como empilhamento a seco, reutilização integral da água utilizada no processo industrial, e a utilização de eletricidade de fontes renováveis.
A Sigma Lithium acredita que o acordo com Minas Gerais encerra uma fase de incerteza e abre espaço para transformar a segurança jurídica obtida com o TAC em produção efetiva: 240 mil toneladas nos próximos 12 meses, 330 mil toneladas em 2027 e, no horizonte da expansão, um potencial de até 830 mil toneladas por ano.


