Inteligência Artificial e Inovação nos Serviços Públicos
A inteligência artificial (IA) vem se consolidando como uma ferramenta essencial para a transformação dos serviços públicos, oferecendo soluções que podem aumentar a eficiência da gestão governamental e, ao mesmo tempo, garantir segurança, ética e confiança. Este tema foi amplamente debatido na segunda edição do Gov Experience, realizada em Santa Catarina, que reuniu representantes de instituições públicas e empresas de tecnologia. O evento destacou a importância da colaboração entre o setor público e o setor privado na implementação de tecnologias inovadoras.
O Evento Gov Experience
O Gov Experience, promovido pelo LinkLab GOV, trouxe à tona a discussão sobre como a IA pode ser aplicada na gestão pública. A programação começou com uma agenda de matchmaking entre empresas associadas à ACATE e instituições públicas, com a presença de representantes de diversos estados, como Goiás, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Joinville e Acre. Este espaço teve como objetivo fomentar o diálogo entre desenvolvedores de tecnologia e gestores públicos, possibilitando a troca de ideias e experiências.
Na abertura do evento, Thais Nahas, Diretora da Vertical Smart Cities da ACATE, enfatizou a necessidade de criar ambientes que promovam a conexão entre tecnologia e gestão pública. Essa interação é vital para enfrentar os desafios que o setor público enfrenta na atualidade, especialmente em um mundo cada vez mais digital.
O Potencial da Tecnologia em Santa Catarina
Durante o evento, o presidente da ACATE, Diego Ramos, destacou o potencial de Santa Catarina em integrar a tecnologia na modernização dos serviços públicos. Ele argumentou que a relação entre tecnologia e setor público é parte integrante da história do ecossistema catarinense, representando uma oportunidade para impactar diretamente a vida da população.
A programação do evento incluiu uma apresentação da Diretora de Ciência, Tecnologia e Inovação da FAPESC, Valeska Daniela Tratsk, que ressaltou a importância das Fundações de Amparo à Pesquisa como parceiras em iniciativas que envolvem tecnologia e inovação. Essa colaboração é crucial para garantir que os avanços tecnológicos sejam utilizados de maneira eficaz no setor público.
Inteligência Artificial como Ferramenta para o Cidadão
Eliana Cardoso Emediato de Azambuja, Coordenadora-Geral de Governança Digital do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), apresentou o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). Este plano é composto por 54 ações estruturantes e está organizado em cinco eixos: infraestrutura e desenvolvimento de IA; difusão, formação e capacitação; uso da IA para melhoria dos serviços públicos; inovação empresarial; e apoio à regulação e governança da tecnologia.
Os principais objetivos do PBIA incluem:
- Melhorar a qualidade de vida dos cidadãos;
- Formar profissionais capacitados;
- Desenvolver modelos avançados de linguagem em português utilizando dados nacionais;
- Ampliar a infraestrutura de pesquisa, desenvolvimento e inovação.
Segurança e Confiança no Uso da IA
Um dos tópicos mais debatidos no evento foi a segurança associada ao uso da inteligência artificial. No painel intitulado “IA, Confiança Digital e Gestão de Riscos na Prevenção de Fraudes em Compras Públicas”, especialistas discutiram como a tecnologia pode ser utilizada para prevenir e identificar irregularidades. Entre os riscos mencionados, estavam os golpes de engenharia social, deepfakes e fraudes em processos de compras públicas.
Os especialistas concordaram que a IA pode ser uma aliada na análise e priorização de informações, mas enfatizaram que não deve substituir a decisão humana. Claudio Ferreira, CEO da CSOn, destacou que o papel da IA deve ser de amplificar a capacidade humana, acelerando processos e possibilitando uma gestão mais eficaz.
IA no Sistema de Justiça e Ministério Público
No painel “O uso da IA no Âmbito do Ministério Público e do Sistema de Justiça”, Otavio Augusto Bennech Aranha Alves, Promotor de Justiça do MPSC, discutiu as ferramentas disponíveis e os critérios para seu uso. Ele ressaltou que a adoção de IA não se limita à disponibilização de ferramentas, mas também requer capacitação e mudança cultural dentro das instituições.
O MPSC implementou programas de formação que consideram as necessidades específicas de cada região, além de mentorias individuais e a criação da Plataforma Aura, que reúne materiais sobre inteligência artificial para os membros da instituição. Essa abordagem é fundamental para que as ferramentas de IA sejam utilizadas de forma eficaz e ética.
Governança e Inovação no Setor Público
O evento também abordou o papel das instituições de controle na inovação. No painel “Tribunal da Governança Pública: O Tribunal de Contas como Indutor da Inovação”, Tatiana Custódio, Coordenadora do Laboratório de Inovação do TCE/SC, apresentou iniciativas que visam promover a inovação no setor público. A discussão sobre o Marco Legal das Startups também foi um destaque, pois estabelece mecanismos que facilitam a conexão entre governos e empresas de tecnologia.
O encerramento do evento trouxe à tona a discussão sobre “Inteligência Artificial e Ética”, com Juliano Alves Pinto, Secretário-Executivo da Comissão de Ética do Ministério das Relações Exteriores, destacando a importância da governança e dos cuidados necessários no uso da IA. A ética na utilização dessa tecnologia é fundamental para garantir a confiança da população nas iniciativas governamentais.
Conclusão
O Gov Experience 2026 demonstrou que a inteligência artificial não é apenas uma tendência, mas uma realidade que, se bem utilizada, pode transformar os serviços públicos e melhorar a vida dos cidadãos. A colaboração entre o setor público e a iniciativa privada é essencial para que essa transformação ocorra de maneira eficiente e responsável. É um momento crucial para que gestores e tomadores de decisão se unam em prol de uma administração pública mais inovadora e eficaz.


