Desempenho Operacional da ArcelorMittal no Segundo Trimestre de 2026
A ArcelorMittal, uma das maiores empresas de siderurgia do mundo, apresentou resultados financeiros impressionantes no segundo trimestre de 2026 (2T26). O EBITDA alcançou US$ 2,064 bilhões, representando uma alta de 23% em relação ao trimestre anterior. O lucro líquido também avançou, totalizando US$ 683 milhões, com um crescimento de 19% sobre os US$ 575 milhões registrados no primeiro trimestre de 2026 (1T26).
Crescimento da Receita
O desempenho da empresa foi impulsionado por um aumento significativo na receita, que entre abril e junho atingiu US$ 16,8 bilhões, superando em 8,4% o resultado do período anterior. Quando comparado ao 2T25, a receita demonstrou um crescimento de 5%, enquanto o EBITDA teve uma expansão de 11%.
Entretanto, é importante notar que o lucro líquido no segundo trimestre de 2026 ficou 62% abaixo do que foi reportado no mesmo período do ano anterior, quando a companhia registrou US$ 1,793 bilhão. Essa diferença substancial pode ser atribuída a ganhos extraordinários contabilizados no 2T25. Se esses ganhos não fossem considerados, o lucro daquele período teria sido de US$ 1,005 bilhão, o que representa uma queda de 32% na comparação anual.
Fatores de Crescimento no Setor Siderúrgico
Durante o 2T26, a ArcelorMittal embarcou 13,4 milhões de toneladas de aço, um volume 4,1% maior que o registrado entre janeiro e março. O preço médio de venda do aço também apresentou um crescimento de 4,4%. Essa combinação de preços e volumes mais altos resultou em um aumento da receita para todas as divisões de aço da empresa.
O EBITDA por tonelada subiu para US$ 155, comparado a US$ 131 no primeiro trimestre. Este crescimento é significativo quando comparado com o mesmo trimestre de 2025, onde o indicador havia ficado em US$ 135. A empresa atribui essa evolução a uma sólida estratégia de investimentos, à reorganização do portfólio de ativos e à diversificação de mercados.
Destaques da Operação Brasileira
O Brasil destacou-se no balanço da empresa, com uma receita que alcançou US$ 3,152 bilhões, um aumento de 12,2% em relação ao primeiro trimestre. O EBITDA da operação brasileira cresceu 20%, passando de US$ 334 milhões para US$ 401 milhões. O lucro operacional também apresentou um avanço, de US$ 223 milhões para US$ 274 milhões.
Os embarques de aço no Brasil totalizaram 3,568 milhões de toneladas, refletindo uma alta de 3,9%. A ArcelorMittal também destacou o aumento da participação das vendas domésticas, favorecido pela redução das importações de aço no país. O preço médio de venda no Brasil atingiu US$ 798 por tonelada, um aumento de 8%, que a empresa atribui à valorização das placas produzidas localmente e às flutuações do câmbio.
Além disso, a produção de aço bruto no Brasil também aumentou, alcançando 3,711 milhões de toneladas no segundo trimestre, o que representa um crescimento de 5,6% em comparação ao primeiro trimestre.
Investimentos e Expansões Futura
A ArcelorMittal manteve sua previsão de investimentos para 2026 entre US$ 4,5 bilhões e US$ 5 bilhões. Os projetos considerados estratégicos devem receber entre US$ 1,7 bilhão e US$ 1,9 bilhão. A companhia estima que os investimentos em andamento e as aquisições já realizadas poderão adicionar cerca de US$ 1,8 bilhão ao EBITDA anual a partir de 2026.
Entre os projetos destacados estão a expansão das operações de mineração na Libéria, a ampliação da capacidade siderúrgica na Índia e investimentos em aços elétricos, energia renovável e tecnologias de menor emissão. No mercado brasileiro, a empresa está analisando possíveis ampliações nas operações de Pecém, no Ceará, e Tubarão, no Espírito Santo. No entanto, essas iniciativas ainda estão em avaliação e não há valores ou cronogramas definidos.
Situação Financeira e Expectativas Futuras
A dívida líquida da ArcelorMittal encerrou o segundo trimestre em US$ 9,5 bilhões, um aumento em relação aos US$ 9,3 bilhões do trimestre anterior. Esse aumento foi influenciado por investimentos em capital de giro e por um retorno de US$ 600 milhões aos acionistas. Apesar do aumento da dívida, a empresa encerrou junho com uma liquidez de US$ 10,4 bilhões, considerando o caixa e as linhas de crédito disponíveis.
A administração da empresa espera que uma melhora na rentabilidade ao longo do segundo semestre resultará em um aumento na geração de caixa. Com isso, a companhia pretende não apenas manter a remuneração dos acionistas, mas também avançar na redução do endividamento.



