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CBMM e St. George disputam na Justiça área de terras raras e nióbio em MG

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Disputa Judicial entre CBMM e St. George: Implicações para a Mineração no Brasil

A Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), a maior produtora de nióbio do mundo, e a australiana St. George Mining Limited, estão em meio a uma disputa judicial que pode ter implicações significativas para o setor de mineração no Brasil. A disputa gira em torno de uma área de 38 hectares em Araxá (MG), onde a St. George possui direitos minerários, mas a CBMM tenta bloquear o acesso, alegando preocupações com a segurança de sua barragem.

Contexto da Disputa

A St. George busca autorização para realizar estudos na área, com o objetivo de identificar o potencial mineral do local. No entanto, a CBMM argumenta que a entrada da empresa poderia comprometer a integridade da barragem 4, uma estrutura crítica localizada dentro do perímetro. A barragem, conforme informações do Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB), é classificada como desativada e em processo de descaracterização, mas ainda assim representa um risco médio em caso de falhas.

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) já tomou decisões divergentes sobre o caso, refletindo a complexidade da situação. Atualmente, a St. George está impedida de acessar a área, enquanto o processo aguarda pareceres técnicos de várias instituições, incluindo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Implicações Ambientais e de Segurança

Um dos principais argumentos da CBMM para impedir a entrada da St. George é a preocupação com a contaminação do solo local. Segundo a companhia, as atividades de pesquisa, como furos de sondagem, poderiam danificar a membrana impermeabilizante da barragem, levando à contaminação por bário, um material monitorado por razões legais devido a um acordo com o MPMG.

A segurança das barragens é um tema crítico no Brasil, especialmente após acidentes trágicos como os de Mariana e Brumadinho, que destacaram a necessidade de rigorosos padrões de segurança. Os documentos da CBMM indicam um baixo risco de falhas, mas um dano potencial médio em caso de rompimento, o que aumenta a tensão em torno da questão.

Decisões Judiciais e Seus Desdobramentos

O litígio teve início em 2022, quando a St. George buscou na Justiça a autorização para acessar a propriedade. Desde então, houve uma série de decisões, incluindo uma autorização provisória, que foi posteriormente contestada pela CBMM. A Justiça, em junho, proibiu perfurações pesadas, mas permitiu estudos superficiais, resultando em uma solução intermediária.

A situação se complicou quando a CBMM apresentou uma nova ação na primeira instância, resultando em um bloqueio total ao acesso da St. George. Apesar das tentativas da empresa australiana de realizar apenas estudos não invasivos, a CBMM continuou a contestar as permissões, evidenciando a tensão entre os interesses das duas empresas.

Direitos Minerais versus Propriedade

O conflito entre a CBMM e a St. George reflete uma questão comum na mineração: o conflito entre direitos minerários e a propriedade da superfície. De acordo com especialistas jurídicos, os recursos minerais pertencem à União, permitindo que o Estado conceda direitos minerários a empresas, mesmo quando a propriedade do terreno é de terceiros.

Em situações onde o proprietário não permite o acesso, a empresa mineradora pode recorrer à Justiça. Essa dinâmica é bem estabelecida pela legislação brasileira, que reconhece a mineração como uma atividade de interesse nacional, com direitos que podem se sobrepor a outros usos do solo.

Possíveis Negociações e Soluções

Um dos desdobramentos possíveis para a disputa é a avaliação da possibilidade de remanejamento da infraestrutura existente. Se for identificada a viabilidade técnica e financeira para a alteração da localização da barragem, isso poderia abrir espaço para negociações. A indenização pelos custos associados ao remanejamento seria uma premissa para qualquer acordo futuro.

Durante o processo, a St. George acusou a CBMM de tentar atrasar a autorização de ingresso, enquanto a CBMM respondeu alegando que a St. George agiu de má-fé. Tais alegações apenas intensificam a complexidade do caso, que pode afetar não apenas as empresas envolvidas, mas também o futuro da mineração na região.

O Potencial do Projeto da St. George

O projeto da St. George em Araxá prevê investimentos de até US$ 350 milhões, com a expectativa de produção anual de 5 mil toneladas de nióbio, começando em 2028. A CBMM, por sua vez, já produz entre 100 mil e 120 mil toneladas anualmente, dominando o mercado de nióbio. A entrada da St. George no setor poderia diversificar a concorrência, embora a CBMM continue a enfatizar que suas preocupações estão centradas na segurança da barragem, e não em impedir a concorrência.

A disputa judicial não apenas destaca os desafios enfrentados por empresas de mineração no Brasil, mas também serve como um lembrete da necessidade de equilibrar a exploração de recursos naturais com a responsabilidade ambiental e a segurança das comunidades ao redor.

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