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Cooperação internacional é o caminho para fortalecer a cadeia de minerais críticos no Brasil, afirma ABPM

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Oportunidade Brasileira na Cadeia de Terras Raras

O Brasil possui um potencial significativo para se tornar um jogador importante na cadeia de produção de terras raras e minerais estratégicos, especialmente se o país adotar uma estratégia de cooperação com a China. Essa visão foi compartilhada por Luis Mauricio Azevedo, presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa Mineral e Mineração (ABPM), em uma recente entrevista. O especialista destaca que, apesar das tensões geopolíticas, o Brasil deve se unir a parceiros internacionais para avançar no processamento mineral e na industrialização.

A Importância das Parcerias Internacionais

Com as restrições impostas pela China às exportações de terras raras, que são insumos cruciais para indústrias como a automotiva, eletrônica e aeroespacial, Azevedo alerta para a necessidade de uma abordagem cooperativa. Em suas visitas à China, ele notou uma disposição das empresas chinesas em aumentar seus investimentos fora do país, incluindo o Brasil.

“O que a gente percebe é que talvez tenhamos uma visão um pouco deturpada por posições dos Estados Unidos e da Europa. O que vimos nesses 12 meses foi uma certa relativização sobre esse tema e, principalmente, uma disposição da China em entrar dentro do processo de fabricação de downstream de produtos minerais,” afirmou Azevedo.

Industrialização: O Caminho a Seguir

Azevedo enfatiza que o Brasil deve mudar seu foco da mera exportação de minério bruto para a atração de investimentos em processamento mineral no território nacional. “Não é fornecer o material, é convidá-los para fazer parte do processamento aqui dentro. Fomos muito bem recebidos,” disse ele, ressaltando a importância dessa mudança de paradigma para fortalecer a cadeia produtiva.

O executivo acredita que o governo deve implementar políticas que incentivem essas parcerias, promovendo um ambiente favorável à industrialização mineral.

Desafios do Custo do Capital

Um dos principais desafios para o desenvolvimento da indústria mineral no Brasil é o custo do financiamento. Azevedo aponta que as empresas chinesas operam com condições financeiras significativamente mais competitivas, com taxas de juros em torno de 2%, enquanto no Brasil essa taxa chega a 15%, podendo ser ainda maior no mercado privado.

“Essas parcerias têm que ser estimuladas. A China pode nos ajudar muito com um custo de capital extremamente competitivo,” afirmou Azevedo, sugerindo que o Brasil deve aproveitar seu potencial energético, especialmente na geração de energia limpa, como um diferencial para atrair investimentos.

Poder de Produção de Terras Raras no Brasil

Apesar de possuir uma das maiores reservas de terras raras do mundo, o Brasil enfrenta um gargalo tecnológico no processamento desses minerais, atualmente dominado pela China. Azevedo considera que acordos de cooperação tecnológica são essenciais para desenvolver a cadeia nacional de valor. “Essa tecnologia está na China. Mas o Brasil tem algo muito importante, que são as argilas iônicas. Uma parceria de troca de tecnologia seria muito importante entre o Brasil e a China,” destacou.

Cooperação como Alternativa ao Isolacionismo

Azevedo também comentou sobre a possibilidade de o Brasil se tornar um concorrente da China no mercado de terras raras. Ele ressaltou que uma estratégia de independência poderia resultar em altos custos econômicos e tecnológicos, o que tornaria a cooperação uma alternativa mais viável. “A independência vai levar ao isolacionismo. O custo de capital é muito alto e nós não temos esse capital aqui no Brasil. A tecnologia vai levar de 20 a 30 anos para chegar onde eles já chegaram. Então, é muito mais fácil fazer a cooperação,” concluiu.

Por fim, Azevedo reiterou que a relação Brasil-China pode gerar benefícios mútuos, afirmando que “é um ganha-ganha.” O Brasil, segundo ele, possui as condições necessárias para estabelecer relações comerciais não apenas com a China, mas também com outros blocos econômicos, defendendo uma estratégia baseada na cooperação internacional, atração de investimentos e fortalecimento da industrialização mineral nacional.

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