Transformações e Desafios no Setor Mineral Brasileiro
O painel realizado na Exposibram, no dia 25 de agosto, trouxe à tona questões cruciais sobre o futuro do setor mineral brasileiro. Moderado por Ismael Daoud, gerente de vendas para a América Latina da Wood Mackenzie, o evento contou com a presença de líderes de grandes empresas como Thiago Toscano, CEO da Itaminas; Carlos Mello, CEO da CSN Mineração; Antonio Pereira, diretor de operações do Salobo na Vale Metais Básicos; e Rodrigo Gomides, presidente da Kinross Brasil.
Vantagens Geológicas e Desafios de Longo Prazo
Os painelistas concordaram que o Brasil possui uma vantagem geológica significativa, que pode ser um diferencial competitivo em relação a outros países. No entanto, eles também enfatizaram que o processo de colocar uma mina em operação é longo e pode levar até 15 anos. Essa realidade exige planejamento e gestão estratégica por parte das empresas do setor.
Descarbonização e Sustentabilidade
Carlos Mello destacou a transformação que o Brasil está vivenciando, tanto em sua população quanto no mercado, que busca descarbonizar a cadeia produtiva. “Estamos em um momento de transformação e precisamos nos ver como protagonistas desse processo”, afirmou Mello. Ele ressaltou a importância de repactuar com a sociedade, especialmente para atrair jovens para o setor mineral.
O CEO da CSN Mineração também ressaltou que a mineração requer um alto investimento de capital, seja para aquisição de novos equipamentos ou para a adoção de novas tecnologias. Ele observou que, em algumas situações, o reprocessamento de minério estéril pode ser mais vantajoso economicamente, permitindo a obtenção de minério de ferro de alto teor. “As tecnologias para reaproveitamento mineral estão evoluindo, possibilitando uma produção mais eficiente com menos recursos”, complementou Mello.
Reputação e Conexão com a Sociedade
Thiago Toscano, da Itaminas, ressaltou a importância de investir na reputação das empresas de mineração. Para que o setor melhore sua imagem e comunicação, é fundamental aproximar-se da sociedade. Ele citou o exemplo do site mundosemmineracao.com.br, que busca mudar a percepção pública sobre o setor mineral, promovendo o respeito e o diálogo entre comunidades.
Toscano também enfatizou a necessidade de uma gestão ambidestra nas empresas, que priorize a lucratividade e a geração de caixa, para garantir retornos de investimento sustentáveis.
Confiança e Inovação no Setor Mineral
Rodrigo Gomides, da Kinross Brasil, abordou a demanda constante por minério de ouro e destacou que muitas reservas ainda não foram exploradas no Brasil. Segundo ele, o setor mineral está se esforçando para reconquistar a confiança da sociedade, passando por transformações que buscam aumentar a segurança nas relações entre organizações e comunidades. “O Brasil é um país consolidado em comparação a outros players globais e precisamos continuar melhorando”, afirmou Gomides.
Perspectivas para o Cobre
Os participantes do painel também discutiram a alta demanda por cobre, que, no entanto, enfrenta desafios em relação à oferta. Mello informou que a produção de cobre da Vale deve aumentar de 330 mil para mais de 700 mil toneladas anuais em uma década. Esse crescimento será impulsionado por um trabalho colaborativo e uma visão compartilhada entre as empresas do setor.
Futuro Promissor e Colaboração
A expectativa em relação ao crescimento das commodities é otimista, especialmente se houver um esforço conjunto e uma colaboração mais intensa entre as empresas. Toscano enfatizou que as parcerias devem ir além das relações comerciais tradicionais, buscando soluções inovadoras que possam incluir inteligência artificial e novos modelos de processos.
Em resumo, o painel da Exposibram evidenciou a necessidade de adaptação e inovação no setor mineral brasileiro diante de um cenário em constante mudança. Com investimentos em tecnologia, gestão estratégica e construção de confiança, as empresas podem não apenas superar os desafios atuais, mas também se posicionar como líderes em um mercado global competitivo.


