Desafios e Oportunidades na Exploração Mineral Brasileira
A redução no número de grandes descobertas minerais coloca a indústria diante de um desafio significativo: a necessidade de ampliar a exploração de novas áreas e aprofundar o conhecimento sobre depósitos já conhecidos. Durante a EXPOSIBRAM 2026, especialistas enfatizaram que províncias minerais brasileiras, consideradas maduras, como Carajás e o Quadrilátero Ferrífero, ainda apresentam potencial para novos investimentos e descobertas. Este tema foi debatido no painel “Províncias minerais do Brasil: como impulsionar novos investimentos e descobertas”.
Investimentos em Pesquisa Mineral
Segundo Roberto Xavier, diretor executivo da ADIMB, os investimentos globais em pesquisa mineral atingiram a marca de US$ 12,4 bilhões em 2025, com o ouro e o cobre figurando entre as principais commodities pesquisadas. Contudo, apesar do volume considerável de investimentos, o número de descobertas de depósitos de grande porte vem diminuindo. “O número de descobertas está diminuindo. O que temos é a expansão de áreas onde depósitos já estão operados”, afirmou Xavier. Essa tendência é especialmente relevante para o cobre, cuja oferta projetada até 2040 deverá depender principalmente da expansão de depósitos existentes, e não de novas descobertas de grande escala.
Frentes de Exploração no Brasil
No Brasil, uma das principais frentes de exploração está nas áreas ainda pouco conhecidas ou localizadas sob coberturas e em grandes profundidades. Juliano Ferreira, gerente de exploração e desenvolvimento de negócios da Nexa Resources, destacou que ainda há espaço para ampliar o conhecimento geológico de Carajás por meio de métodos de maior resolução. “Quando falamos de conhecimento geológico, ainda há muito a ser feito em Carajás”, disse Ferreira. No entanto, ele ressaltou que a exploração de depósitos mais profundos exige tecnologias geofísicas e geoquímicas específicas, além de um maior volume de investimentos.
Desafios na Atração de Talentos
A disponibilidade de áreas e a dificuldade de atrair profissionais, especialmente geólogos de campo, foram citadas como barreiras significativas. A necessidade de aprofundar o conhecimento não implica que as províncias maduras tenham perdido sua capacidade de gerar novos projetos. Eduardo Luis de Oliveira, gerente corporativo de geologia da Ero Copper, ressaltou que Carajás possui uma base histórica de conhecimento que remonta aos primeiros mapas elaborados na década de 1960, posteriormente atualizados pelo SGB (Serviço Geológico do Brasil). “O atual estágio de desenvolvimento não é uma restrição para novos projetos; a indústria deve investir e pesquisar”, afirmou Oliveira.
Obstáculos no Quadrilátero Ferrífero
No Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, os obstáculos relacionados à ocupação do território são igualmente relevantes. A professora Lydia Maria Lobato, titular do departamento de Geologia da UFMG, apontou a urbanização como uma das principais barreiras à exploração na região. Além disso, a presença de garimpeiros em áreas de empresas consolidadas e a apropriação de áreas de províncias minerais pelo crime organizado foram citadas como fatores que precisam ser considerados, mesmo quando ocorrem de forma localizada.
Caminhos para Aumentar a Capacidade de Descoberta
A ampliação do conhecimento geológico e a combinação entre novas tecnologias e trabalho de campo foram apontadas como caminhos para aumentar a capacidade de descoberta. Xavier destacou que cerca de 40% da cobertura geológica brasileira está na escala de 1:100 mil e que empresas utilizam dados públicos do SGB, como levantamentos geofísicos e mapeamentos, para orientar a exploração. O SGB também mantém campanhas de aerogeofísica de alta resolução, que são cruciais para o aprimoramento do conhecimento geológico.
O Papel do Mapeamento na Exploração
Guilherme Ferreira da Silva, chefe da Divisão de Geologia Econômica do órgão, resumiu o papel dessa base de conhecimento na cadeia de exploração: “O mapeamento na escala apropriada ajuda a definir os limites. Alvos podem virar depósitos que podem virar minas.” Para Xavier, o avanço nesse setor também dependerá de profissionais capacitados para integrar ferramentas digitais e conhecimento de campo. “O profissional híbrido, que combina tecnologias como IA e trabalho de campo, é o que vai liderar novas descobertas”, concluiu.
Em conclusão, o futuro da exploração mineral no Brasil depende da capacidade de adaptação da indústria às novas realidades do mercado. Investir em conhecimento geológico, desenvolver novas tecnologias e atrair profissionais qualificados são passos cruciais para garantir que as províncias minerais brasileiras possam continuar a ser fontes de riqueza e desenvolvimento.


